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A chegada de um novo filho na família provoca diversas alterações na dinâmica familiar, é um momento novo e como tal precisa ser emocionalmente elaborado. Os sentimentos gerados em decorrência da chegada do novo filho são muitos, mas com certeza o ciúme a rivalidade se farão presentes.

Com o nascimento do segundo filho, o primogênito sente que tudo que era exclusivamente seu, passa a ser dividido: o espaço, brinquedos e, sobretudo o amor e a atenção dos pais. E é compreensível que ao se deparar com outra criança, sinta-se temporariamente ameaçado, inseguro, com medo de perder seu espaço.

A criança pode fantasiar explicações diversas para o nascimento do seu novo irmão, pode acreditar que “ele próprio” não era suficiente para os pais, e até que não é mais amado e por isso precisou ser substituído por outro filho.

Ainda que o ciúme até certo ponto possa ser benéfico já que é um aprendizado para outras situações a serem enfrentadas na vida, torna-se necessário uma atenção especial por parte dos pais, quando a criança passa a delatar seu descontentamento através de comportamentos que atrapalham o seu desenvolvimento. Os sintomas do ciúme são diversificados podendo variar entre inapetência, apatia, dificuldades de aprendizagem na escola, agressividade, regressão, comportamental, competição, choro sem razão aparente, enurese, entre outros.

A rivalidade entre irmãos gerada por esse sentimento está diretamente relacionada à configuração familiar e à ambivalência dos sentimentos que se interpõe nas relações familiares.

Frequentemente os pais na ânsia de mostrar que reconhecem um talento de um de seus filhos ou ainda desejando estimular um deles a “progredir”, “melhorar em algo”, fazem afirmações como: este é o artista da família ou, seu irmão na sua idade já sabia ler direito. Atitudes assim estabelecem comparações entre irmãos e consequentemente intensificam a rivalidade. Comparações são as principais causadoras de atritos e podem comprometer a autoestima da criança.

É ilusório acreditar que se pode evitar o ciúme e a rivalidade entre irmãos, mas é possível viver a chegada de novos irmãos com menos sofrimento, e isso dependerá do padrão de qualidade da relação familiar. Esse padrão é quem determinará o grau de aceitação/rejeição, segurança/insegurança, maior/menor autoestima da criança. Compreender e mostrar que cada filho tem qualidades específicas distintas, reconhecê-las e valorizá-las sem comparações ajudam os filhos a sentirem-se aceitos, amados e respeitados.

Pais acolhedores estimulam a confiança e a segurança nos filhos, que por sua vez sentem que podem expressar seus sentimentos sem que isto macule sua autoimagem. Sentimentos não são necessariamente bons ou maus, são apenas sentimentos que uma vez compreendidos internamente, são elaborados facilitando a superação do conflito e da dor causados por eles. Por isso, é essencial dar corretamente nome aos sentimentos e ajudar a criança a compreendê-los. Dar outro nome ou outro significado ao ciúme é o mesmo que confirmar à criança que ela traz em si algo de indesejado, inaceitável mesmo.

É fundamental que os pais estejam atentos aos sintomas de seus filhos e na constatação deles busque ajuda profissional, na qual através de um processo psicoterapêutico, a criança possa entrar em contato com seus conflitos, sentimentos, e encontrar formas de solução, resultando assim em um desenvolvimento saudável.

 

Solange Cupertino Santos Oliveira

Psicóloga

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