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Compreender antes de seguir…

 


              Essa música que há pouco percorreu redes sociais, grupos de trocas de mensagens e eventos, agora “viraliza” outras formas de conversas e reflexões. Não raramente, formas de arte evocam sentimentos, emoções, desejos, muitas vezes latentes. Dentre os temas que viraram assunto de conversas mais profundas, o relacionamento de Mulheres (e Mães) com as suas próprias Mães se destacou.

 

*Cada filha leva consigo sua própria mãe,
este vínculo é eterno e infringível.*

 

              Qualquer mulher leva consigo as consequências da relação que teve com sua progenitora. Desta forma, se a relação foi amadurecida e saudável, se a mãe foi capaz de transmitir mensagens positivas sobre seu papel, sobre seu corpo e sobre a maneira de relacionar-se com os outros em diferentes contextos, esse aprendizado seguirá como guia para a vida da filha, garantindo-lhe a chance de elaborar e aplicar estratégias que visem a saúde física e emocional, a partir dos fenômenos de “espelho entre filha e mãe”. (Saiba mais em: “As metamorfoses do espelho do rosto materno na constituição do self da criança”).

maes e filhas

             Entretanto, a influência de uma mãe também pode ser problemática quando o papel exercido for tóxico, devido a uma atitude negligenciada, ciumenta, chantagista ou controladora, visto que a capacidade de desenvolvimento enquanto pessoa fica comprometida pela capacidade deficitária de elaborar as estratégias mencionadas.

 

              À medida que compreendemos, consideramos e percebemos as influências que sofremos no passado e no presente, nos tornamos mais capazes de assimilar o que pensamos e sentimos em relação à própria vida. Esse processo permite o desenvolvimento enquanto pessoa, um processo de autoconhecimento profundo e libertador.

 

                 O vídeo retrata o ciclo da vida, mostrando uma criança que se torna uma mulher como a sua mãe, e que ao gerar uma criança assume o papel da maternagem e ao final acaba por perder a sua mãe. Essa visão evoca em quem o assiste facilmente os sentimentos e desejos relacionados aos ciclos da vida e sua finitude.

              Os Seres Humanos se constituem como “Humanos” a partir do olhar de outro Humano, e esse processo inicia-se com um vínculo formado entre o bebê e a mãe. A partir disto, a constante busca pela atenção e aprovação maternas estão iniciadas e costumeiramente acompanham a vida dos filhos perpetuamente, claro, com variações específicas em função de cada relação e experiência – cada Humano é Único, e cada relação também.

 

              Por que tantas pessoas fazem questão de aproveitar aparições públicas (como em estádios) para serem filmadas com “Mamãe, olha eu aqui!”; “Mãe, estou na Globo”?

trem bala - mae - globo

 

              Para além das necessidades primárias biológicas, a necessidade de afeto e de aprovação é traçada desde o primeiro minuto, desde que olhamos nossa mãe para sabermos se estamos fazendo algo certo ou errado, se seremos recompensados, se somos merecedores de afeto, de um toque carinhoso, de um sorriso.

 

              Segundo Northrup, o vínculo mãe-filha pode ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que uma criança pode experimentar ao longo da vida, mas nem sempre as coisas ocorrem desta maneira. Ao longo da vida, a necessidade de aprovação pode se tornar patológica, dependente, gerando obrigações emocionais que promovem um controle externo à nossa própria vida. Um cárcere forjado de afeto que atrapalha, e por vezes impede, o desenvolvimento pleno, uma vez que embute medos e culpas que podem nos acompanhar por toda a vida, ou até o momento em que desejarmos compreender e reformular essas influências.

“Para toda mulher há sempre três mulheres: ela menina, sua mãe e a mãe de sua mãe”.
D.W.Winnicot, Conversações, Londres, 1987

              A necessidade desmedida de aprovação e/ou aceitação determina a perda de independência e de liberdade que nos impede de atingir o desenvolvimento enquanto pessoa, seja na relação com a mãe, parceiros ou outras formas de relacionamento, e essa prisão pode ter suas correntes rompidas à medida que cada um vai descobrindo-se, tratando conscientemente as influências recebidas e presentes, e reorganizando tudo o já foi vivido e tudo o que se deseja verdadeiramente, para além das expectativas alheias (Self).

Enquanto estão aqui

 

              Quando notamos conflitos presentes em nossas vidas, sejam internos ou externos, é importante dar atenção conscientemente ao que se passa conosco. A compreensão consciente é a chave para distinguir o que deve ser alterado e o deve ser mantido em nossos comportamentos, e este é o primeiro passo para a solução destes conflitos. Estabelecer limites é fundamental para garantir espaço ao nosso próprio Self, para possibilitar a nossa realização pessoal, a experiência de tornar-se completo em si mesmo. Quanto mais claramente temos consciência sobre nós mesmos, mais qualificada se torna nossa capacidade de relacionarmo-nos com os outros. 

“É saber se sentir infinito, num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar…”

              Observar nossos comportamentos, escolhas, julgamentos automáticos e questionar a origem mais remota de cada um deles pode ser um caminho para o momento em que começamos a trilhar o caminho do auto-conhecimento.  Existem diversas abordagens para questões semelhantes, algumas estratégias de meditação, algumas formas de terapias e a psicoterapia em si, caso queira conhecer um pouco mais sobre elas, contate um profissional da área desejada. Antes de alcançar o desejo de conquistar o mundo externo, há de se conquistar o nosso mundo interno! “Segura teu filho no colo, sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui, que a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”

 

“A maior herança de uma mãe para uma filha é ter se curado como mulher”
 Christiane Northrup.

Mayra R B Cruje
Psicoterapeuta 

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